segunda-feira, 12 de março de 2012

Devaneio


Ai sonho por onde navegas?
Por onde te escondes,renegas e a ninguém te entregas?
Esventrado pela insaciável cobiça
Tomas a mão que outrora julgavas tua
E novamente o medo te rouba de mim,
Peço-te um beijo de adeus
Sabendo-te inquebrável fim
E no lamento entrego-te a imutável verdade
De te amar,querer com toda a minha vaidade
Então,o sonho solitário soltou um devaneio desinspirado,
Perdeu-se no meio da multidão hedionda
Rasgando uma crença intragável,
Ofereceu ao mundo uma lucidez inaceitável
E por fim mudo, deu-se e fez amor com o suícidio. "

Ruy Romão

Lágrima Sem Nome


Dançaste nua no meio de mil olhares,
Vestias-te de humilde sensualidade
Adornando o brilho da tua mocidade,
Vejo e revejo essa dança intemporal
Onde minhas infinitas visões cambaleavam
Por entre a impercetível essência floral
Que mão divina esculpiria rosto tal?
Beijaria tal artesão elevando-o à imortalidade
Oferecendo-te a arte perfeita da tua imperfeição.
Cada segundo foi hora eterna,
Agora apenas sonho que hiberna
Deambulando nas ruelas de uma saudade
Que ainda me grava sorrisos
E me acaricia a Alma com doces arrepios
Agora apenas a pele do meu rosto socorre
Abraçando as lágrimas com que nele escrevo teu nome.

Ruy Romão


quarta-feira, 24 de agosto de 2011

Sussurros

Foi um sussurro,feito ouvir na alma,
Cobicada,aliciada pela calma,
Pela paz que la de longe aguardava,
Confesso uma vontade consciente,amargurada
De me levar pela cedencia cobarde,
Contudo,nao o fui,agora e talvez tarde
Para voltar a um momento onde ja nao pertenco,
Uma realidade que ainda sinto mas ja nao mereco.
Foi talvez a mais vibrante forma de me saber vivo
E mais que mortal,animal cativo
Desta forma que sou e nao abdico,
Ainda assim,tomado de bravura,claudico
Foi neste cansaco que a vil me tentou tomar,
Ai como faz tremer essa vontade de te amar,
No meu egoismo solto-me de ti,nao te quero,ainda
Sei-o a cada minuto,que o meu folego finda,
Mas o meu sorriso permanece,
O meu espirito nao esmorece
E a minha hora vem longe,nao cedo portanto
Quando me tentas abrigar no teu manto.

Ruy Romao
24/08/11



terça-feira, 13 de abril de 2010

O Poeta E O Sonho

Contemplo o desconhecido em silêncio
Com olhar puramente onírico,
Sobre a verdade inalcançável repouso,
Medito e nada me prometo,
Dou-me com verdade, com ela ouso
Abrigar-me na sensatez que m´abraça.
É olhar nobre este que aprecio,
Embriaga, confunde num desnorteio
Que rasga a Alma e dá cor ao tímido rosto da ilusão,
Não é promessa, apenas inocência pura
Que amanhece em espírito nobre.
Contorno a luz que m´ofusca
Tentando em vão dar razão ao inatingível,
É templo longínquo de portas cerradas,
Não sei onde fica, esqueci-me do caminho
Que jamais mostraste,
É com esta memória que percorro uma senda
Carregada de justeza
E despida de mentira.

Ruy Romão

segunda-feira, 15 de fevereiro de 2010

Pensamento

Do amor quero distância
E amar, sua proximidade,
Afasto-me para não morrer
Ansiando minha liberdade.
A voz da razão crucifica,
Leva-me ao infinito martírio,
Onde sou o que nunca fui,
Prostrado contra minha sombra
Dou-me,entrego-me e talvez me confesse,
Crente ou não,
O importante não transparece
Nas chagas que me perseguem,
Tais não têm Alma,
Rostos sim, revejo-os sem mim
Sem mágoa, navegando no absoluto,
São imagens, nada mais,
Pensares longínquos que não foram,
Eu também não fui,
Não quis,não consegui
Ser a razão de uma vida
Nem a vontade d´uma morte.

Ruy Romão

2010

Suspiros Na Solidão

Suspiros Na Solidão
Não sei quantos suspiros restam,
Quantas passadas sem tormento,
Infindáveis olhares de lamento,
Apenas sei que tais bastam.
Não navego sem rumo,digo!
A mentira atraiçoa-me,sei!
Seria eu banal Rei
Se não mantivesse o que persigo.
Não será mentiroso o fado?
É verdadeiro como o bandido
Cuja sombra persegue moribundo
Sem percepção do seu jazigo.
Não me lamento,
É tarde demais!
Levanto-me d´outrora sem benção,
Cansado demais para pedir perdão,
Sei bem onde estou,
Onde vou,
O tempo é veloz,não parou.
Pararei eu quando a chama findar,
Entregue somente a meu perecer,
Onde, olharei ultimamente o mar
Esquecendo assim todo o meu viver.

Ruy Romão

2010