segunda-feira, 15 de fevereiro de 2010

Pensamento

Do amor quero distância
E amar, sua proximidade,
Afasto-me para não morrer
Ansiando minha liberdade.
A voz da razão crucifica,
Leva-me ao infinito martírio,
Onde sou o que nunca fui,
Prostrado contra minha sombra
Dou-me,entrego-me e talvez me confesse,
Crente ou não,
O importante não transparece
Nas chagas que me perseguem,
Tais não têm Alma,
Rostos sim, revejo-os sem mim
Sem mágoa, navegando no absoluto,
São imagens, nada mais,
Pensares longínquos que não foram,
Eu também não fui,
Não quis,não consegui
Ser a razão de uma vida
Nem a vontade d´uma morte.

Ruy Romão

2010

Suspiros Na Solidão

Suspiros Na Solidão
Não sei quantos suspiros restam,
Quantas passadas sem tormento,
Infindáveis olhares de lamento,
Apenas sei que tais bastam.
Não navego sem rumo,digo!
A mentira atraiçoa-me,sei!
Seria eu banal Rei
Se não mantivesse o que persigo.
Não será mentiroso o fado?
É verdadeiro como o bandido
Cuja sombra persegue moribundo
Sem percepção do seu jazigo.
Não me lamento,
É tarde demais!
Levanto-me d´outrora sem benção,
Cansado demais para pedir perdão,
Sei bem onde estou,
Onde vou,
O tempo é veloz,não parou.
Pararei eu quando a chama findar,
Entregue somente a meu perecer,
Onde, olharei ultimamente o mar
Esquecendo assim todo o meu viver.

Ruy Romão

2010