Do amor quero distância
E amar, sua proximidade,
Afasto-me para não morrer
Ansiando minha liberdade.
A voz da razão crucifica,
Leva-me ao infinito martírio,
Onde sou o que nunca fui,
Prostrado contra minha sombra
Dou-me,entrego-me e talvez me confesse,
Crente ou não,
O importante não transparece
Nas chagas que me perseguem,
Tais não têm Alma,
Rostos sim, revejo-os sem mim
Sem mágoa, navegando no absoluto,
São imagens, nada mais,
Pensares longínquos que não foram,
Eu também não fui,
Não quis,não consegui
Ser a razão de uma vida
Nem a vontade d´uma morte.
Ruy Romão
2010
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